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Webinários com especialistas apoiam projetos de equipes vencedoras

Webinários com especialistas apoiam projetos de equipes vencedoras

Marina Almeida, Tamara Castro
30/11/2020
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As cinco equipes vencedoras nacionais do Desafio Inova Escola em 2019 receberam assessoria técnica para implantar seus projetos ao longo deste ano. Para apoiá-los, além do acompanhamento de assessores com expertise no tema de cada plano de inovação, foi realizada, em outubro e novembro, uma série de webinários com especialistas convidados pelo programa – iniciativa da Fundação Telefônica Vivo e desenvolvida em parceria com o CENPEC Educação.

Ao longo da elaboração dos projetos e das adaptações que as escolas precisaram fazer devido à pandemia, temas muito específicos foram se apresentando. Foi quando surgiu a ideia de realizar uma série de webinários com conteúdos informativos e que pudessem apoiar o trabalho das equipes.

“Uma questão muito cara à Fundação é a contribuição para a formação continuada de qualidade das professoras e professores. No Desafio Inova Escola, enxergamos a oportunidade de personalizar essa formação ao disponibilizarmos webinários com as temáticas escolhidas pelas escolas premiadas, em processo de assessoria, com olhar para a implementação de seus planos de inovação.
Oferecemos uma formação que, em sua concepção e execução, está alinhada aos valores estimulados desde a trilha formativa, passando pela premiação até a assessoria do Desafio Inova Escola. Nosso intuito genuíno é de que este momento formativo seja aproveitado pelos educadores em seus planos e na vida escolar atual repletos de desafios”, explica Bianca Castiglione (foto ao lado), analista de Projetos Sociais da Fundação Telefônica Vivo.

Em parceria, equipes e assessores fizeram um mapeamento de temas relevantes para cada projeto e convidaram especialistas para conversar sobre eles em encontros virtuais. “Essa ação foi aberta aos educadores das equipes vencedoras e de suas respectivas instituições de ensino a fim de fortalecer a proposta e o grupo envolvido direta ou indiretamente”, explica Ana Cecília Chaves Arruda (foto ao lado), coordenadora do Desafio Inova Escola.

Ao todo, foram realizados quatro encontros virtuais, que abordaram os temas: engajamento comunitário, sustentabilidade na perspectiva pedagógica, itens avaliativos e práticas educacionais inovadoras usando recursos digitais durante a pandemia. 

Os especialistas foram apresentados ao contexto de cada projeto para que pudessem direcionar suas falas às reais necessidades das equipes escolares. “Todos os convidados adotaram uma abordagem participativa para o encontro, o que promoveu momentos de troca entre os educadores, de motivação para continuar a desenvolver o projeto com mais confiança, e de acolhimento com relação aos limites impostos ao projeto devido ao cenário de pandemia”, ressalta Aline Tiemi Colombo Yokoyama (foto ao lado), técnica do Desafio Inova Escola.


Webinários: importância das trocas para enfrentar desafios

Saiba mais sobre cada webinário e seu papel no trabalho das equipes escolares.

Engajamento comunitário: importância e como fazer

Izabel Brunsizian (foto abaixo), convidada a falar sobre engajamento comunitário para as equipes Itavivo e Guerreiros do Campo, explica que para pensar em inovação é fundamental ampliar o olhar para além dos muros escolares. “Trazer a comunidade, envolvê-la em um movimento de mobilização para que ela se sinta participante e parte da escola traz uma nova necessidade de estruturar a escola e aí a inovação aparece”, diz a especialista. “Cada um traz a sua forma de ver o mundo, de resolver problemas, e isso contribuiu muito para repensar qual caminho podemos fazer quando queremos trazer inovação.”

A especialista conta que percebeu que as equipes escolares têm muita clareza sobre os princípios em que se apoiam para executar as ações. “Talvez faltasse algo que trouxesse isso para o cotidiano. Quando penso em uma reunião que envolva todo mundo, que ações eu construo para que isso de fato ocorra? Que cuidados tenho no chamamento, na forma de receber, na opção de dar voz para cada um deles? Ao criar uma pauta paralela à oficial do conteúdo, esses cuidados são fundamentais para promover a participação almejada, mas nem sempre está claro quais são essas ações, resultado de uma experiência do cotidiano. Às vezes essa forma de atuação já está acontecendo, embora a pessoa não se dê conta ao apresentar seu trabalho.

Por esse motivo, a convidada avalia que exercitar um encontro de reflexão ajuda os participantes a perceberem aquilo que já fazem a partir de outro olhar e a repensarem sua atuação.

Izabel ainda reforça a importância da ação conjunta: “escutar coisas que acredita de outro jeito, de outro pessoa, com outra formulação. Isso vai criando insights, troca de experiência, escuta”, conclui.

A professora Maria Marcilene Alves da Silva, da equipe Guerreiros do Campo, de Nova Esperança do Piriá (PA), conta que, com o engajamento comunitário, busca “oferecer estratégias de fortalecimento e convivência para melhor implementação do plano de inovação em meios à crise da pandemia que impulsionou, para o bem comum, o isolamento social”. Ela também destaca o diálogo e os relatos de experiências que aconteceram durante o webinário: “cada equipe vencedora argumentou sobre seu plano e a efetivação das ações”.

A equipe Itavivo, de Vitória de Santo Antão (PE), conta que seu projeto tem por objetivo a interação escola/comunidade: “é um projeto em que cada ação só faz sentido se o público participar conosco”, diz a professora Martamiria Santos. 

O webinário colaborou muito para efetivar esse engajamento comunitário, pois nos proporcionou um momento de reflexão sobre a sua importância e como fazê-lo. Passamos a perceber que teríamos que sair do nosso lugar de certeza para ouvir as ideias da comunidade”, conta. “Lembro-me que, alguns dias após o webinário, tivemos uma reunião com a comunidade para conversarmos sobre a nossa segunda ação. Direcionamos todo o planejamento do nosso encontro para abarcar o conhecimento que construímos. E o resultado foi um encontro significativo para todos, com o envolvimento efetivo dos participantes na ação.”

 Sustentabilidade: como trabalhar na perspectiva pedagógica

Para conversar com a equipe Bastião Atômico, de Jaboatão dos Guararapes (PE), o convidado foi Edson Grandisoli, consultor da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e pós-doutor pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o especialista, para além das questões técnicas, financeiras e de logística, o processo de inovação não deve se restringir aos aspectos tecnológicos. “Um dos grandes desafios é engajar a comunidade escolar e o território no movimento, gerando corresponsabilização. Mudanças de atitudes e comportamentos. A criação de novos valores mais coletivos relacionados aos recursos naturais comuns é um ponto fundamental para garantir a permanência e continuidade das ações.”

Segundo Edson (foto ao lado), um dos principais pontos do webinário foi proporcionar um momento de escuta e aprendizados mútuos. “Do ponto de vista do plano do grupo, o diálogo acerca das intencionalidades pedagógicas da proposta foi muito interessante, uma vez que foi capaz de descortinar alguns pontos fundamentais relacionados ao ensino de diferentes competências e habilidades, bem como o de cultivar espaços ricos de participação e cocriação. No fundo, são essas intencionalidades que tem como foco a formação de cidadãos mais proativos, criativos e solidários”, diz.

A equipe Bastião Atômico conta como o desafio de seu projeto se tornou ainda maior com a chegada da pandemia. “Com um desafio tangível a uma problemática crônica do nosso país (e, por que não dizer, de ordem mundial), que é a do acesso à água, a equipe tem enfatizado neste momento a realização das ações previstas no projeto, na medida do possível”, conta o professor Luís André Jacinto. Ele ainda destaca a importância da teoria para a concretização dos processos: “o webinário contribuiu com aportes teóricos para que as ações pressupostas no projeto possam se materializar no chão da escola da melhor forma.”

Elaboração de itens avaliativos

Para tratar de avaliação com a equipe Inova IEMA, de São Luís (MA), que tem como desafio articular os currículos da base técnica e da base comum, o convidado foi o pedagogo especializado em Docência da Língua Portuguesa Ailton Carlos Santos. O educador, que atua como supervisor escolar na rede municipal de educação de São Paulo e como professor de educação básica na rede estadual de ensino paulista, explica que discutir o papel da avaliação nessa proposta é importante para favorecer a tomada de decisões e o planejamento de ações a fim de aprimorar os processos de ensino e de aprendizagem. “Do ponto de vista do ensino, a avaliação permite ao docente planejar os conteúdos e as estratégias de acordo com as necessidades educativas dos estudantes. Em relação à aprendizagem, a avaliação permite ao estudante reconhecer avanços e dificuldades, e com a ajuda do professor superá-las”, aponta o especialista.

Para Ailton (foto ao lado), a avaliação funciona, assim, como uma ação orientada para que as aprendizagens previstas ao longo de um período sejam efetivadas, permitindo a articulação dos currículos da base técnica e da base comum. “Em suma, a avaliação apresenta-se como um desafio em articular aquilo que foi planejado com aquilo que foi de fato aprendido pelos estudantes promovendo uma reflexão constante sobre a construção de conhecimentos realmente significativos.”

Em termos avaliativos, Ailton explica que, primeiro, é importante definir uma matriz de saberes, ou seja, aquilo que é essencial para a garantia da continuidade das aprendizagens em cada bimestre ou período escolar. Em seguida, definir os conteúdos e as estratégias mais adequadas para todos e cada um dos estudantes de acordo com os diferentes domínios de saberes. “Essa tarefa é complexa e exige da equipe escolar o conhecimento sobre as necessidades e os interesses da comunidade educativa”, diz.

Outro aspecto fundamental, segundo ele, é identificar os processos de mensuração do rendimento escolar, qualificando-os e tornando-os claros tanto para o grupo de professores da turma quanto para os estudantes. “Por fim, tomar decisões que permitam atingir os resultados esperados nos planejamentos inter e transdisciplinares faz com que a comunidade educativa firme um compromisso com a construção de saberes necessários para o sucesso escolar e a melhoria da qualidade do trabalho educativo da instituição”, ressalta.

A professora Francilma Everton, da equipe Inova IEMA, fala sobre a importância do tema do webinário no projeto desenvolvido: “inovar na forma de ensinar para que os estudantes tenham uma aprendizagem significativa e efetiva é muito importante. Mas precisamos ter evidências concretas dessa aprendizagem. É aí que os itens avaliativos entram como uma das formas que podemos usar nesse processo”. 

Da mesma equipe, a professora Flávia Regina Correa ressalta a reflexão trazida pelo webinário sobre como elaborar itens com textos-base mais integrados. “Isso coaduna com a proposta de nosso projeto, pois queremos que os estudantes tenham uma visão mais holística sobre as temáticas apresentadas na escola. Embora os itens estejam relacionados à habilidade de um determinado componente curricular, a elaboração de nosso texto-base pode perpassar por diferentes campos do saber”, aponta.

Como implementar práticas educacionais inovadoras usando recursos digitais no contexto de pandemia

Para o webinário com a equipe da IFF9, de Itaperuna (RJ), a convidada foi Ana Márcia Paiva, professora, pesquisadora e consultora nas áreas de TIC na Educação, Cultura Maker e Design Thinking. Para ela, antes de pensarmos nos recursos digitais, é importante observar e entender os requisitos dos alunos, ou seja, suas necessidades e anseios. Entre as necessidades, a especialista elenca os objetivos pedagógicos, conceituais e habilidades para o desenvolvimento das competências. “Como anseios, devemos analisar o que gostam, que tipo de atividades realizam nas horas de folga, que aplicativos e redes estão usando, o que comentam e sentem. A partir daí é que vamos pensar nos recursos que usaremos para proporcionar uma melhor e mais produtiva experiência”, diz.

Ana Márcia (foto ao lado) ainda ressalta a importância de avaliar o contexto e as condições dos alunos. “Temos que privilegiar situações e recursos em que TODOS possam participar confortavelmente. Talvez o simples seja melhor que o elaborado para se ter o maior engajamento. As narrativas são importantíssimas, a aplicação e o sentido também. O que não pode haver é o uso dos recursos digitais sem pensar na intenção”, aponta a especialista.

Para o projeto de jogos de aprendizagem da equipe IFF9, Ana Márcia destaca a narrativa atrelada aos objetivos. “Toda história tem desafios, tem aliados e mentores, tem ganhos de experiência, tem grandes batalhas e tem o crescimento. Se pensarmos na Jornada do Herói podemos ver todas essas fases e pode ser uma boa estrutura de narrativa também para os jogos. No encontro com os professores falei de ferramentas em que se podem criar 'jogos' a partir da criação de caminhos diferentes em que a história pode seguir, de acordo com a interação do usuário. Isso promove um senso de responsabilidade, pois o caminho será diferente a cada escolha que fazemos.”

Ana Márcia ainda aponta a importância de as criações serem feitas junto com os alunos, para que eles pensem, investiguem, desenvolvam capacidade de síntese para a criação das regras que possam ser entendidas por todos e se coloquem no lugar de quem vai jogar. Para ela, encontros síncronos com ferramentas simples de colaboração podem iniciar o processo de ideação: “os próprios alunos vão falar de várias ferramentas que usam e conhecem, as quais, inclusive, podem ensinar uns aos outros. Podem-se criar vários jogos e interações usando ferramentas simples e que façam sentido. Além disso, que sejam fáceis de prototipar e de testar.”

Para o professor Orlando Afonso Junior, da IFF9, o webinário relembrou a equipe da ideia inicial do projeto. “Esse momento foi muito importante para que revíssemos os nossos objetivos e metas, capturando sua essência. Conseguimos ter a visão do todo, de onde partimos, o que estamos fazendo e onde queremos chegar”, diz.

Ao mesmo tempo, eles puderam refletir sobre as adaptações que precisaram ser feitas por conta da pandemia: “acredito que esse seja o nosso principal desafio, uma vez que a ideia inicial era implementar 100% no presencial”.


Compartilhamento de experiências no caminho da inovação

Os temas focados nos webinários, embora tenham um papel central para os planos de inovação de determinadas equipes, são fundamentais para toda e qualquer ação inovadora na educação. Assim, na formação do Desafio, foram pensados diversos momentos de troca entre as equipes para que as discussões e aprendizagens desenvolvidas nos grupos pudessem ser socializadas e multiplicadas. É o que conta Aline: 

“A troca entre equipes era uma premissa quando planejamos o modelo de assessoria às equipes. Buscamos fazer isso através de diferentes formas, incluindo a série de webinários, que foi aberta aos educadores de outras instituições. Além disso, buscamos proporcionar essa interlocução por meio da construção de portfólios das equipes utilizando a plataforma Padlet. Assim, os educadores puderam consultar o desenvolvimento de cada equipe ao longo de todo o ano.”

Conciliar as agendas de tantos educadores foi um desafio, revela a educadora. “No primeiro semestre conseguimos reunir todas as equipes em um encontro virtual em que puderam compartilhar seus projetos e dialogar com uma especialista em inovação. Em agosto, tínhamos previsto um intercâmbio para as equipes visitarem escolas inovadoras brasileiras, porém, com a pandemia essa ação foi postergada para 2021. Desse modo, apesar dea assessoria estar se encerrando neste ano, seguimos animados com os próximos passos.”


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TAGS: Educação Inovação Desafio Escola

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